PROGRAMA ALIMENTAR

para Síndrome Metabólica

Dra. Nádia C. Brito Pateguana

Educadora Alimentar, 

Licenciada em Biologia, B.Sc., 

Doutorada em Medicina Naturopática, ND

Ser Médica Naturopata, para mim, significa olhar para os meus pacientes e a saúde dum ponto de vista holístico. Não vejo órgãos, não vejo doenças, só vejo "pessoas".

Tenho uma pós-graduação em Medicina Naturopática (www.ccnm.edu, 2004). Sou licenciada em Biologia pela McMaster University (2000). O meu maior interesse sempre foi tratar o corpo humano. Em busca do meu próprio bem-estar, descobri a Medicina Naturopática.

Esta vertente de medicina acredita no poder de cura da natureza; a capacidade do organismo de se curar a si próprio. O primeiro, e mais importante, princípio da Medicina Naturopática é "não fazer qualquer dano", e eu tento seguir este princípio em todos os momentos.

​O meu foco sempre foi na Nutrição. Eu utilizo a alimentação como o meu remédio!

​Eu nasci em Moçambique, mas cresci no Canadá, onde completei os meus estudos. Desde então a vida levou-me de volta ao meu país natal onde trabalhei durante vários anos. Lá geri uma clínica multidisciplinar como diretora clínica e médica naturopata.

​Em 2016, de volta ao Canadá, comecei a trabalhar como Educadora Alimentar para o Dr. Jason Fung e Megan Ramos no Intensive Dietary Management Program. Este programa clínico recomenda uma abordagem Low-Carb e Jejum Intermitente para superar as condições de resistência à insulina e a síndrome metabólica tais como a obesidade, diabetes, fígado gordo, apnea de sono, ovário poliquístico, infertilidade, hipertensão, dislipidemia e similares. 

​Hoje em Portugal, gostaria de vos trazer a minha experiência pessoal e profissional no âmbito de apoio alimentar. Nas próximas 4 semanas vamos trabalhar juntos.

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SAÚDE

O que são Doenças Metabólicas?

A insulina é um hormônio metabólico com efeitos anabólicos (de aumento) e reprodutivos. O organismo produz insulina naturalmente para gerir o açúcar no sangue em resposta ao consumo e frequência de certos alimentos (açúcares e proteína). Como consequência de níveis excessivos de insulina, doenças metabólicas como a obesidade, diabetes, hipertensão, fígado gordo, ovário poliquístico (infertilidade), apneia do sono e demais podem desenvolver. A função da insulina é normalizar os níveis de açúcar no sangue, convertendo a glicose em reservas de energia e gordura corporal, ao mesmo tempo em que impede o corpo de queimar gordura, levando à obesidade. A insulina também direciona a frutose, ou açúcar da fruta e álcool, para o fígado para ser convertida em LDL e Triglicerídeos. Esses níveis anormais de lipídios levarão à dislipidemia e, eventualmente, podem levar à doença cardiovascular. Outra consequência muito importante da resistência à insulina é o seu impacto na ovulação e fertilidade. Estas doenças afetadas pela hiperinsulinemia são categorizadas como SÍNDROME METABÓLICA. Se o problema é insulina em excesso, qual a solução? Reduzir a insulina através duma dieta Low-Carb e Jejum Intermitente.

Dual-energy X-ray absorptiometry (DEXA): avaliação da composição corporal após 1 ano de Dieta Low Carb e Jejum Intermitente.

A Insulina e a Dieta Low Carb

É a insulina que determina a retenção / eliminação (por exemplo de líquidos), se armazenamos ou queimamos (por exemplo gordura), se ganhamos ou perdemos (por exemplo peso). Quando a produção de insulina diminui o corpo elimina / queima / perde. Quando a produção de insulina aumenta o organismo retém / armazena / ganha. Consumir uma dieta elevada em hidratos/carboidratos e/ou comer mais vezes ao dia aumenta a produção de insulina. Ao consumir uma dieta mais baixa em hidratos/carboidratos (Low Carb) e comer menos vezes ao dia (Jejum Intermitente), reduz a produção de insulina, elimina a retenção de líquidos, queima gordura e perde peso.

Dieta Low Carb

O que é a Dieta Low Carb?

Eu recomendo uma dieta rica em fibras e elevada em gorduras naturais, com uma quantidade moderada de proteína e baixo consumo de hidratos (carboidratos).  Para ter sucesso é necessário reduzir a insulina. Geralmente, calorias não são contabilizadas, em vez disso deve comer quando tiver fome e até ficar satisfeito(a). A Lista de Alimentos assim como a receitas deste programa ajudam a preparar as refeições.

Regras Gerais:

  • Consuma refeições completas, quando tiver fome, até satisfeito(a)

  • Evite beliscar ou comer entre as refeições 

  • Consumo de gorduras naturais, moderação de proteína, e restrição de Hidratos/carboidratos

  • Foque nos vegetais com alto teor de fibra (vegetais e couves verdes) 

  • Evite os grãos, cereais, açúcares e vegetais de raiz

  • Evite comer muito tarde

GORDURA ALIMENTAR

Devo ter medo de comer gordura? A Gordura faz mal?

Esta é talvez a maior preocupação daqueles que pensam em seguir uma dieta Low Carb. Será que consumir gordura alimentar não irá causar problemas de saúde, como o excesso de colesterol e outras doenças cardiovasculares? Se comer ovos, sardinhas, azeite e couves fizesse mal, "coitadinhos" dos nossos antepassados! E realmente as evidências clínicas e estudos mostram que afinal esta dieta "primitiva" e rica em gorduras naturais é bem mais saudável e volta a estar novamente "na moda".

 

Após a revolução industrial e a produção de vários produtos alimentares processados, entre eles os óleos vegetais e os snacks em pacotes, começámos a ver um aumento exponencial de certas doenças, entre elas a obesidade e os diabetes. A partir dos anos 80 os guias alimentares internacionais foram alterados para alertar contra os "perigos da gordura alimentar" e aconselhar um maior consumo de produtos "vegetais". Automaticamente o consumo de hidratos e destes produtos processados aumentou. Na época destes concelhos errados os únicos a beneficiar e a lucrar foram a indústria alimentar e farmacêutica, não o povo. As pessoas começaram então a engordar e a adoecer, mas ao invés de sofrer de doenças infecciosas como era do costume, começam a surgir as doenças "modernas" e metabólicas como a obesidade, diabetes, cancro, alzheimers e outros. Parece-me então que não devemos ter medo de consumir os alimentos ricos e gordos a que estávamos antes acostumados a comer, mas devemos sim temer os alimentos ultra-processados que nos foram recomendados há tão pouco tempo.   

 

Falamos aqui da terapia alimentar para doenças metabólicas derivadas da hiperinsulinemia, ou por outras palavras, vamos tentar reduzir a produção excessiva de insulina para reverter a obesidade, diabetes, fígado gordo, hipertensão e demais.

 

Enquanto que o consumo de hidratos (como os açúcares, cereais, fruta e até vegetais) provoca a maior produção de insulina, o consumo de gordura alimentar provoca uma produção mínima ou insignificativa de insulina. De todos os alimentos, a gordura é das mais ricas em nutrientes como o Cálcio, a Vitamina K e D, e também a que dá a sensação de maior saciação.

JEJUM INTERMITENTE

Provavelmente já ouviu falar sobre o jejum "ultimamente". Diferente do que possa parecer, jejuar não é a última moda, mas sim uma prática tão antiga como o próprio ser humano.

Algumas pessoas fazem jejum para melhorar a saúde e evitar medicamentos, como no caso dos DIABETES e HIPERTENSÃO. Ainda outras utilizam esta práctica como uma forma de controlo de peso. Grande parte da população faz jejum por motivos religiosos e/ou culturais.

Qual a relação entre o Jejum e a Dieta Low Carb?

Falámos no processo de queimar gorduras, eliminação de retenção de líquidos e perca de peso ao reduzir a insulina, o hormônio metabólico. Durante a restrição de hidratos/carboidratos (a Dieta Low Carb) a produção de insulina é reduzida e quando em jejum o corpo pura e simplesmente não produz insulina reduzindo ainda mais os seus níveis. Desde que haja energia reservada (gordura suficiente no organismo) esta é direcionada para todas as células do organismo.

Por quantas horas se deve fazer jejum?

Fazer jejum ou jejuar, hoje conhecido como Jejum Intermitente, simplesmente significa períodos determinados sem comer. Como tal, todos nós fazemos jejum em algum momento durante o dia e noite, entre as refeições e durante o descanso. Existem vários horários comuns, desde somente algumas horas a períodos mais prolongados. O Jejum Intermitente mais comum é de 16 horas. Existe também o Jejum de Dias Alternados de 24, 36, ou 42 horas e os jejuns mais prolongados de 2 ou mais dias. No início qualquer um destes horários pode parecer assustador, mas fazer jejum é como fazer exercício, é necessário practicar e fortalecer esse "músculo".

autofagia

O processo que pode fazer você perder peso e viver mais…

"Autofagia" significa "comer a si mesmo". Um processo pouco conhecido, estudado desde os anos 60, mas a sua importância foi descoberta através do trabalho do Japonês Yoshinori Ohsumi, que em 2016 ganhou o Prémio Nobel de Medicina

​A Autofagia é desde então reconhecida como "um processo de regeneração natural que ocorre em nível celular no corpo, reduzindo a probabilidade do surgimento de algumas doenças, além de aumentar a longevidade."

​Mas como induzir a autofagia? O Professor Ohsumi demonstrou que períodos de jejum e restrição de certos alimentos promove esta renovação celular e processo contra o envelhecimento, e assim protege contra doenças como Parkinson, Huntington e certas formas de demência, no controle de doenças e inflamação excessiva. De facto o jejum promove tudo isto!  

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